Há uns dias tomámos uma decisão para a existência! Estávamos a precisar de tempo a quatro, de papo para o ar, simplesmente a aproveitar a vida, no bem bom sem fazer nada!
Andámos à procura de hotéis, não importava a zona porque nem tencionávamos sair, só tinha que ter uma boa piscina, ser perto da praia e ter tudo incluído. Pela primeira vez na vida dei uma de Madame.
Assim foi, encontrámos um resort maravilhoso (e com uma mega promoção o que também foi decisivo). Piscina exterior, piscina interior, elevador directo para a praia privativa, spa, parque infantil, cabeleireiro, tudo incluído, enfim o sonho!
Rumámos a Sul na quinta feira logo de manhã… a excitação era enorme, a antevisão do paraíso aproximava-se!
E … chegamos… mas…. Não era exactamente o que esperávamos, o edifício era um prédio gigante, um bruto mamarracho. Bem… pouco glamouroso por fora, mas que se dane, por dentro deve ser um sonho! Só que não… Antiquado, cafona e datado. Oh well, não viemos pela beleza do hotel de qualquer forma. Primeira informação que nos é dada, só podemos entrar no quarto às 15h da tarde, eram 14h15. Porreiro, vá lá que nos “deixaram” ficar no lobby. Uma mãe, um pai, uma cria de dois anos e outra de dois meses na hora do biberon e mil malas. Bem, lá se fez. Não estava a começar com o pé direito a minha ideia de vida cheia de mordomias.
Finalmente no quarto (do tamanho de um penico com quatro camas lá enfiadas) deparei-me com uma vista linda sobre o mar! Tudo arrumado e fato de banho vestidos, vamos comer qualquer coisa e vamos para a piscina. Deram-nos umas toalhas meias velhas e lá fomos nós, confesso que fiquei espantada quando percebi que o hotel estava lotado e havia poucos lugares para nós, mas pior, quando vi os chapéus de sol corroídos pela ferrugem e quase partidos, tudo bem, pormenores. Outro factor que me escapou… o vento… por alguma razão em Junho estavam quase ventos ciclónicos no algarve e um frio de rachar. Bem, nada nos ia deter, daí termos escolhido aquele hotel espetacular com piscina interior. Fomos em busca da piscina interior mas… nada feito. Não havia… como assim?!? Aí confesso que acabei por me descontrolar, aproveitámos a piscina ciclónica por um bocado e quando fomos devolver as toalhas decidi armar barraco por não haver piscina interior. Como a primeira pessoa que me atendeu não me conseguiu responder a nada pedi para chamar um responsável. Foi aí que o meu mundo ruiu entre a vergonha, o embaraço e a fúria (com a minha pessoa entenda-se). Não é que reservámos o hotel errado?! O que queríamos fazia parte da mesma cadeia mas era a uns cem metros deste primeiro. Aqui não havia spa, piscina interior, acesso à praia… nada. Bem, azarecos, nada ia estragar estes dias.
O telefone toca, cai uma bomba! O marido tem que ir a um enterro a Lisboa no sábado… um enterro! Reparem nas nossas férias paradisíacas a desmoronar “lentamente”.
O resto do dia passou-se de forma agradável, com direito a mãe e filha enfiadas de fato de banho na banheira num mega banho de espuma!
No dia seguinte, a Teresinha só queria ir ao parque, mas como de manhã o vento ainda não estava ao rubro decidimos aproveitar a piscina um bocadinho. O que me safa é que os meus filhos estão sempre de sorriso na cara, e aproveitam o melhor do mundo. A Teresinha deve ser a criança mais feliz deste mundo e dos arredores. Quando à tarde fomos ao parque eu não queria acreditar. Era no sítio mais desprotegido do hotel, à sombra, com um vendaval que não se aguentava e um frio de rachar. Embrulhei o Sebastião em mantas de lã e lá ficou a Teresinha um bocado, quando saímos de lá até tinha a boca roxa! Nessa noite levámos os miúdos ao salão do hotel onde havia música ao vivo. Essa noite valeu ouro, a piolha de dois anos dançou todo o tempo e catava alegremente, portugueses e estrangeiros morriam de tanto rir a olhar para ela.
Amanheceu, o João pôs-se a caminho de Lisboa e eu com os dois, a pensar aproveitar outra vez a manhã na piscina caso a manhã estivesse parecida com a anterior.
Confesso que me atrevi a sonhar alto e ainda pensei que ia tirar a barriga de misérias e aproveitar uma mega manhã cheia de sol. Acordo de bem com a vida, abro as cortinas e … chove… o dia está cinzento e chove! Paro, penso na vida, maldigo a sina, enraiveço-me com a falta de sorte, ponho sorriso na cara e vou tratar das crianças. Depois do pequeno-almoço tentámos corajosamente o parque, mas acabámos todos embrulhados em toalhas e a fugir dali o mais depressa possível, andámos pelo hotel à procura de actividades para os miúdos ou de qualquer coisa para fazermos juntos, mas nada. Decidi pintar as unhas com a Teresinha, ela delira. Mas o cabeleireiro só abria à tarde. Lembrei-me de fazermos uma manhã de spa, mas este também era naquele resort paradisíaco a 100 metros dali. Aquele que me fez sonhar alto, aquele que me fez esquecer da roupa para lavar, das refeições para preparar, dos quartos por arrumar e das camas por fazer. Esse.
É, foi uma bela manhã a ver desenhos animados no quarto. Prometi à teresinha que à tarde íamos à praia, desse por onde desse. Mas… obviamente não foi tarefa fácil.
O João voltou, mas trouxe a Avó para almoçar connosco (uma Senhora amorosa, muito querida, mas claramente não estava nas minhas contas de uns dias a quatro). Depois do almoço tivemos que nos pôr todos no carro para a levar a casa. Eu fiz a viagem entre as duas cadeirinhas do carro, ora quem me conhece sabe que eu tenho uma bunda considerável e que por isso não foi tarefa fácil. Ainda tenho no rabo os socalcos da posição estranha que tive que adoptar.
Dei o grito do Ipiranga e decidi que com bom ou mau tempo íamos à praia como eu tinha prometido. Foi muito giro… Do nada a Teresinha decidiu que nos primeiros 20 minutos morria de medo da areia e só queria colo, o vento não parava, tivemos direito a ver uma noiva a “tentar” chegar à praia para o seu casamento de sonho (pelo menos havia alguém no mundo mais frustrado que eu muhahahaha). E baaam, vem uma vergastada tão grande que levantou metade da areia da praia, e deixou o Sebastião embrulhado em areia (mesmo estando dentro do ovo!) cabeça, olhos, boca… todo ele era areia. Resignadamente decidi abortar o plano da praia e voltámos para o hotel…
Voltámos a ter uma noite em que a Teresinha vibrou, desta vez com música posta por um DJ, mas que ia da valsa ao titanic. Todos os velhinhos do mundo estavam a dançar naquela sala, e a Teresinha feliz no meio deles.
Domingo, último dia, tempo cinzento, chuva, vento, o habitual. Aproveitamos o pequeno-almoço e rumámos a casa. Mas decidimos aproveitar os contratempos e ainda fomos conhecer Beja e dar umas voltas a caminho de casa.
Conclusão? Não nasci para dondoca, mãe dos subúrbios não é madame! Por outro lado, os meus filhos ensinam-me a toda a hora a tomar partido do bom e do mau que acontece, sempre que eu refilava olhava para a cara de felicidade pura da Teresinha que estava a adorar estar no “Hospital” (só no fim conseguiu começar a dizer hotel). Devem ter sido os melhores dias da vida dela, o que acabou por ajudar a tornar estes dias numa óptima experiência. Foram dias com a nossa cara, connosco as coisas vão sempre um bocadinho tortas, mas tem muito mais graça assim. Ainda bem que tenho um marido e filhos que me lembram a toda a hora que não faz mal não ser perfeito, basta ser nosso.




