terça-feira, 5 de junho de 2018

Dias a 4

Fim de semana a quatro 

Há uns dias tomámos uma decisão para a existência! Estávamos a precisar de tempo a quatro, de papo para o ar, simplesmente a aproveitar a vida, no bem bom sem fazer nada!
Andámos à procura de hotéis, não importava a zona porque nem tencionávamos sair, só tinha que ter uma boa piscina, ser perto da praia e ter tudo incluído. Pela primeira vez na vida dei uma de Madame.

Assim foi, encontrámos um resort maravilhoso (e com uma mega promoção o que também foi decisivo). Piscina exterior, piscina interior, elevador directo para a praia privativa, spa, parque infantil, cabeleireiro, tudo incluído, enfim o sonho!
Rumámos a Sul na quinta feira logo de manhã… a excitação era enorme, a antevisão do paraíso aproximava-se!

E … chegamos… mas…. Não era exactamente o que esperávamos, o edifício era um prédio gigante, um bruto mamarracho. Bem… pouco glamouroso por fora, mas que se dane, por dentro deve ser um sonho! Só que não… Antiquado, cafona e datado. Oh well, não viemos pela beleza do hotel de qualquer forma. Primeira informação que nos é dada, só podemos entrar no quarto às 15h da tarde, eram 14h15. Porreiro, vá lá que nos “deixaram” ficar no lobby. Uma mãe, um pai, uma cria de dois anos e outra de dois meses na hora do biberon e mil malas. Bem, lá se fez. Não estava a começar com o pé direito a minha ideia de vida cheia de mordomias.

Finalmente no quarto (do tamanho de um penico com quatro camas lá enfiadas) deparei-me com uma vista linda sobre o mar! Tudo arrumado e fato de banho vestidos, vamos comer qualquer coisa e vamos para a piscina. Deram-nos umas toalhas meias velhas e lá fomos nós, confesso que fiquei espantada quando percebi que o hotel estava lotado e havia poucos lugares para nós, mas pior, quando vi os chapéus de sol corroídos pela ferrugem e quase partidos, tudo bem, pormenores. Outro factor que me escapou… o vento… por alguma razão em Junho estavam quase ventos ciclónicos no algarve e um frio de rachar. Bem, nada nos ia deter, daí termos escolhido aquele hotel espetacular com piscina interior. Fomos em busca da piscina interior mas… nada feito. Não havia… como assim?!? Aí confesso que acabei por me descontrolar, aproveitámos a piscina ciclónica por um bocado e quando fomos devolver as toalhas decidi armar barraco por não haver piscina interior. Como a primeira pessoa que me atendeu não me conseguiu responder a nada pedi para chamar um responsável. Foi aí que o meu mundo ruiu entre a vergonha, o embaraço e a fúria (com a minha pessoa entenda-se). Não é que reservámos o hotel errado?! O que queríamos fazia parte da mesma cadeia mas era a uns cem metros deste primeiro. Aqui não havia spa, piscina interior, acesso à praia… nada. Bem, azarecos, nada ia estragar estes dias.

O telefone toca, cai uma bomba! O marido tem que ir a um enterro a Lisboa no sábado… um enterro! Reparem nas nossas férias paradisíacas a desmoronar “lentamente”.

O resto do dia passou-se de forma agradável, com direito a mãe e filha enfiadas de fato de banho na banheira num mega banho de espuma!
No dia seguinte, a Teresinha só queria ir ao parque, mas como de manhã o vento ainda não estava ao rubro decidimos aproveitar a piscina um bocadinho. O que me safa é que os meus filhos estão sempre de sorriso na cara, e aproveitam o melhor do mundo. A Teresinha deve ser a criança mais feliz deste mundo e dos arredores. Quando à tarde fomos ao parque eu não queria acreditar. Era no sítio mais desprotegido do hotel, à sombra, com um vendaval que não se aguentava e um frio de rachar. Embrulhei o Sebastião em mantas de lã e lá ficou a Teresinha um bocado, quando saímos de lá até tinha a boca roxa! Nessa noite levámos os miúdos ao salão do hotel onde havia música ao vivo. Essa noite valeu ouro, a piolha de dois anos dançou todo o tempo e catava alegremente, portugueses e estrangeiros morriam de tanto rir a olhar para ela.

Amanheceu, o João pôs-se a caminho de Lisboa e eu com os dois, a pensar aproveitar outra vez a manhã na piscina caso a manhã estivesse parecida com a anterior. 
Confesso que me atrevi a sonhar alto e ainda pensei que ia tirar a barriga de misérias e aproveitar uma mega manhã cheia de sol. Acordo de bem com a vida, abro as cortinas e … chove… o dia está cinzento e chove! Paro, penso na vida, maldigo a sina, enraiveço-me com a falta de sorte, ponho sorriso na cara e vou tratar das crianças. Depois do pequeno-almoço tentámos corajosamente o parque, mas acabámos todos embrulhados em toalhas e a fugir dali o mais depressa possível, andámos pelo hotel à procura de actividades para os miúdos ou de qualquer coisa para fazermos juntos, mas nada. Decidi pintar as unhas com a Teresinha, ela delira. Mas o cabeleireiro só abria à tarde. Lembrei-me de fazermos uma manhã de spa, mas este também era naquele resort paradisíaco a 100 metros dali. Aquele que me fez sonhar alto, aquele que me fez esquecer da roupa para lavar, das refeições para preparar, dos quartos por arrumar e das camas por fazer. Esse.

É, foi uma bela manhã a ver desenhos animados no quarto. Prometi à teresinha que à tarde íamos à praia, desse por onde desse. Mas… obviamente não foi tarefa fácil.
O João voltou, mas trouxe a Avó para almoçar connosco (uma Senhora amorosa, muito querida, mas claramente não estava nas minhas contas de uns dias a quatro). Depois do almoço tivemos que nos pôr todos no carro para a levar a casa. Eu fiz a viagem entre as duas cadeirinhas do carro, ora quem me conhece sabe que eu tenho uma bunda considerável e que por isso não foi tarefa fácil. Ainda tenho no rabo os socalcos da posição estranha que tive que adoptar.

Dei o grito do Ipiranga e decidi que com bom ou mau tempo íamos à praia como eu tinha prometido. Foi muito giro… Do nada a Teresinha decidiu que nos primeiros 20 minutos morria de medo da areia e só queria colo, o vento não parava, tivemos direito a ver uma noiva a “tentar” chegar à praia para o seu casamento de sonho (pelo menos havia alguém no mundo mais frustrado que eu muhahahaha). E baaam, vem uma vergastada tão grande que levantou metade da areia da praia, e deixou o Sebastião embrulhado em areia (mesmo estando dentro do ovo!) cabeça, olhos, boca… todo ele era areia. Resignadamente decidi abortar o plano da praia e voltámos para o hotel…
Voltámos a ter uma noite em que a Teresinha vibrou, desta vez com música posta por um DJ, mas que ia da valsa ao titanic. Todos os velhinhos do mundo estavam a dançar naquela sala, e a Teresinha feliz no meio deles.

Domingo, último dia, tempo cinzento, chuva, vento, o habitual. Aproveitamos o pequeno-almoço e rumámos a casa. Mas decidimos aproveitar os contratempos e ainda fomos conhecer Beja e dar umas voltas a caminho de casa.

Conclusão? Não nasci para dondoca, mãe dos subúrbios não é madame! Por outro lado, os meus filhos ensinam-me a toda a hora a tomar partido do bom e do mau que acontece, sempre que eu refilava olhava para a cara de felicidade pura da Teresinha que estava a adorar estar no “Hospital” (só no fim conseguiu começar a dizer hotel). Devem ter sido os melhores dias da vida dela, o que acabou por ajudar a tornar estes dias numa óptima experiência. Foram dias com a nossa cara, connosco as coisas vão sempre um bocadinho tortas, mas tem muito mais graça assim. Ainda bem que tenho um marido e filhos que me lembram a toda a hora que não faz mal não ser perfeito, basta ser nosso.




quinta-feira, 17 de maio de 2018

O dia D

Hoje dei por mim a pensar no dia em que a Teresinha nasceu. Estava ansiosa para a ver, para lhe pegar ao colo, para ter como toda a gente me dizia, o melhor dia da minha vida.
A data prevista para ela nascer era dia sete de Setembro, e toda a gente me dizia que ainda ia ter muito que esperar por ser a primeira filha, O que é certo é que dia 8, às sete da manhã as águas rebentaram. Assim começou um dia longuíssimo!

Mal as águas rebentaram, a minha preocupação foi ter o chão todo sujo, então pus o marido a limpar enquanto eu fui tomar um bom banho. Mal acabei, pegámos nas malas e numa toalha para o banco do carro (aqui a "dignidade" começa-nos a abandonar) e lá vamos nós.
Assim que cheguei ao hospital fui vista e acomodada num quarto. A minha médica estava a dar consultas noutro sítio mas ligava-me a toda a hora para saber em que ponto estava. E o meu ponto era sempre o mesmo "Estou óptima!".

A verdade era que estava mesmo óptima, não tinha uma dor, não estava desconfortável... nada. Quase parecia estar num hotel, quarto só para mim e a ver filmes e séries com o tablet.
A toda a hora me entravam enfermeiros no quarto a saber se estava tudo bem, se precisava de "drogas", se estava muito aflita e de seguida informavam-me que tinha só 2\3\4 dedos de dilatação (enquanto isto lá iam mais pedaços de dignidade pelo ar).

Ao fim de umas boas horas, lá comecei a ter uma certa "moinha" e decidi pedir logo a epidural não fosse a dor começar a escalar muito depressa. Este foi um dos passos mais dolorosos! Por alguma razão estranha começaram-me a dar os nervos, fiquei super contraída, suava em bica (e a médica era amorosa e explicava-me tudo, não percebi a minha reacção!) resultado, doeu-me horrores!

A minha obstetra (é Deus na terra!!) chegou e depois de me ver disse a frase que não me esqueço: "Ah pois é... não vai dar".
Lembro-me tão bem de lhe perguntar : "Não vai dar o quê?! alguma coisa tem que dar!" Aí soube que ia ter que fazer cesariana porque o meu trabalho de parto não evoluía e se continuasse assim o bebé entrava em sofrimento.

Estranhamente nunca tinha posto a hipótese de ter que fazer cesariana... fiquei outra vez nervosissima! Liguei aos meus pais (a quem tinha dado "ordens" específicas para não virem até eu dizer) a contar e em menos de nada estava na sala de operações!

Nunca me vou esquecer daquela sensação horrível de não ter dores mas de sentir alguém a mexer nas minhas entranhas! E o barulho... o barulho como se alguém estivesse a brincar com esparguete nunca me vai sair da memória!! 

E a Teresinha nasce!! Apesar e o João dizer que não foi isto que se passou, é exactamente assim que me lembro! Mal nela nasceu a médica disse-me "parabéns, é mesmo mesmo bonita!" mas quando ma mostrou eu só lhe vi o rabo! O João diz que a puseram ao meu colo, mas eu juro que não! De seguida levaram-na para lhe fazer aqueles testes todos e a vestirem e o João foi com ela. E ali fiquei eu... amarrada a uma maca, sozinha a ser cozida. Nesta altura a minha médica veio-me dar os parabéns e deu-me uma festinha e um beijinho na testa. São pormenores como este que marcam toda a diferença!

O João volta com ela ao colo e diz-me "olha.. e não é que é mesmo bonita?!" (somos os dois muito morenos, cabelo preto e digamos que não temos as caras mais encantadoras, já contávamos que ela fosse meia "macacuça" como costumávamos dizer). Mas ao dizer isto sentou-se ao meu lado, num banco muito alto, ou seja... voltei a não a ver! E eles subiram para o recobro.

Quando já só estava com as enfermeiras ouvi a pior pergunta que se pode fazer à frente de uma pessoa que acabou de ser esventrada "Olha lá... não eram 21 tesouras? Só encontro 20". Morri ali! Mas era falso alarme e ainda nos rimos as três!

Tive um baque quando cheguei ao recobro e percebo que a Teresinha já tinha comido! Como assim não esperaram por mim?! Se eu desse de mamar ela tinha que ter esperado! Porque perguntaram ao Pai se lhe queria dar o primeiro biberon?! E porque é que ele disse que sim?! Fiquei tão frustrada! 
A isto seguiu-se aquela altura óptima em que começa a passar o efeito da epidural e não se consegue parar de tremer! Tão mau!

Depois de toda a gente a ver e de se deliciarem, fomos os três para o quarto. Tudo parecia maravilhoso, a vida era cor de rosa e eu não tinha dores. Lembro-me de pensar "se é assim tão fácil acho que quero mesmo um batalhão de filhos!"

Só que não!...
Algum tempo depois estava na hora do levantamento, vieram duas enfermeiras amorosas que me ajudaram a levantar e perguntavam a toda a hora se eu estava bem. Nunca hei de perceber porque raio decidi armar-me em forte, e mesmo sentido a alma a esvair-se do meu corpo continuava a dizer que estava tudo tranquilo. Obviamente devo ter começado a perder a cor e uma delas perguntou directamente se eu ia desmaiar, ao que respondi apenas "sim". Quando dei por  mim já estava na cama oura vez. Aqui começou o terror.

As dores eram enormes, não me conseguia mexer, tossir, engolir, espirrar e até falar doía! Enquanto isso, a Teresinha chorava aos berros e eu e o João tivemos um dos diálogos de que mais me arrependo de ter.

J - Já viste? Todos os bebés choram menos ela
T - Estás a gozar comigo?! Ela está aos berros!
J - Sim, mas os outros têm um choro irritante e ela não.
T - Pergunto-me a sério se estás a gozar com a minha cara!! Faz com que ela se cala ou desaparece daqui com ela.

É... não tenho imenso orgulho nesta conversa, mas existiu. Pouco tempo depois eles dormiam profundamente os dois, e eu lá continuava cheia de drogas em cima mas a morrer de dores.

Não demorei a perceber que era um mito chamar a este dia o mais feliz da vida.

Por esta altura lembro-me de olhar para a Teresinha e achar que eu era a pior pessoa do mundo...  eu não senti de todo aquela famosa ligação que toda a gente diz que sente ao ver os filhos pela primeira vez. Senti apenas que era amorosa, mas eu não a conhecia, queria vir a conhecer, mas na verdade não conhecia ainda. 

Nos dias seguintes veio a tortura dos puns... sim... puns! Sabia que tinha que os dar, mas as dores eram mais que muitas e eles acabavam sempre por voltar para trás e inchar na barriga... Achava que ia morrer a qualquer segundo, até chorava! Depois descobri que por alguma razão, sabendo que não podia tossir, acabava sempre por me engasgar quando bebia ou comia qualquer coisa. E isto acontecia sempre com visitas no quarto, eu inchada, a suar em bica colada à cama, a morrer de dores, a tentar dar puns e a ter que fazer conversa com meio mundo! 

Quando finalmente era dia da alta, entra uma enfermeira no quarto e pergunta "já evacuou?"... demorei um tempo a pensar e lá percebi que ela me perguntava se já tinha feito cocó... Que saudades que tinha da minha dignidade por esta altura

Decidida olhei para a retrete, tive um tête-à-tête com ela e decidi evacuar. Nah, depressa desisti da ideia! Não consegui! Uns minutos mais tarde veio a pergunta outra vez... "Já evacuou?" e a resposta repetia-se.
No final, a enfermeira apareceu no quarto com um clister e disse-me que se não evacuasse não podia ter alta! Paniquei! Fui para a casa de banho, mas as dores a mexer-me eram imensas e não consegui usar o raio dos supositórios... dignidade, volta, estás perdoada!

Quando a enfermeira me voltou a fazer a célebre pergunta, achei que o melhor que tinha a fazer era mentir! E assim, de consciência pesada mas muito aliviada (apenas mentalmente óbvio) fui para casa.

Aí começou toda uma nova aventura, mas fica para outras andanças.
O que é certo é que apesar de ter odiado o dia, de ter sofrido horrores, e de não ter sido de todo o melhor dia da minha vida, foi aquele dia que fez de mim Mãe e que fez começar a melhor etapa da minha vida. Percebi que não se resumia àquelas horas, mas a tudo o que vinha depois, fruto delas.

Não posso deixar de dizer que fui tratada sempre como uma Rainha por todas as pessoas do hospital, trataram-me sempre  com imenso cuidado, como se não houvesse mais ninguém a precisar de cuidados.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Um 13 de Maio diferente

Escolhemos o dia 13 de Maio para baptizar o Sebastião. Como consagramos os nossos filhos a Nossa Senhora, percebemos que fazia todo o sentido. Foi um Baptizado tão simples quanto bonito, apenas com a família nuclear e o coro feito dos nossos amigos mais próximos. Tudo parecia bem encaminhado, mas, como não podia deixar de acontecer, os stresses aconteciam sem que ninguém (ou quase ninguém) desse conta.
Tudo começou na missa (o baptizado foi depois da Missa) quando o João me diz baixinho "ups, esqueci-me da Concha em casa". A cabeça começa a mil, primeiro pensamento: vou matá-lo! Segundo pensamento: Isso não ia resolver nada. Terceiro pensamento: Mas eu deixei tudo à porta, como é que ele não trouxe?!? Quarto pensamento: Não adianta pensar nisso. Quinto pensamento: Vou definitivamente matá-lo. No final deste monólogo de pensamentos encantador que se passou em segundos, pus um sorriso na cara (acho que não pus, mas para efeitos futuros vou dizer que sim) e fui procurar os meus pais que também já estavam na Igreja, aproximei-me com uma atitude muito madura e altiva, mas mal os alcancei desfiz-me em queixinhas "O João deixou a concha em casa!!!". Não consegui ajuda ali, passei para uma Tia que estava no banco de trás, daí veio a salvação! A minha tia tinha uma concha para me emprestar e vive ali mesmo ao lado. Primeiro stress resolvido!
Acabou a Missa e eu fui vestir o fato de Baptizado ao Sebastião enquanto o João foi a correr (bastante literalmente) buscar a concha. Resultado - o Sebastião teve um Baptizado lindo e foi baptizado com uma concha a dizer Afonso

Seguiu-se o baptizado, foi mesmo um momento bonito, para nós o baptismo não é só uma festa simbólica, tem mesmo um significado profundo e por isso é um dia de uma alegria enorme e festejamo-lo mais do que um dia de anos.

No final do baptizado, era preciso fechar a Igreja e fomos amavelmente  "expulsos". Problema, o Sebastião ainda estava com um vestido gigante. Solução, trocámo-lo à porta da Igreja, nas escadas que dão para o adro. Atrevo-me a dizer que fomos motivo de chacota dos turistas que por ali passavam! No meio disto ainda houve tempo para algumas selfies.

Finalmente, tudo tratado e estamos prontos para rumar a casa e esperar lá por toda a gente, Mas claro que isto não se podia fazer sem mais um percalço! A caminho do carro e com o Sebastião ao colo, achei boa ideia torcer os pé (não usava saltos tão altos desde que Moisés separou as águas!) e cair no meio do chão. Sabem aquelas quedas em câmara lenta? Aquelas em que achamos que a qualquer momento nos equilibramos e não caímos? Foi dessas, mas não me equilibrei... caí mesmo. A Teresinha teve o seu primeiro momento de vergonha alheia e dizia "levante-se Mãe... vá lá, levante-se" enquanto olhava à volta. Eu estava perdida de riso e o João decidiu largar o carrinho para me vir ajudar, mas eu olho para trás e vejo o carrinho a descer a rua sozinho! Foi interceptado por um turista... um daqueles que estava a gozar o pratinho desde que achámos boa ideia trocar a roupa ao bebé em plenas escadas na rua. Parecíamos os quatro saídos de um filme cómico de má qualidade e de piadas a metro! Levantei-me (não acredito que fiz um buraco nas calças acabadas de comprar!!!), fingi que nada se tinha passado, segui caminho e fingi ignorar que meia cidade estava de olhos postos em mim. Os pensamentos de quem olhava para nós deviam ir desde "loucos" a "negligentes". Mas decididos a ignorar o mundo ao nosso redor, continuámos a andar em direcção ao carro.

O resto do dia foi muito em passado, com o Sebastião rodeado de pessoas que o adoram e vão ajudar em todas as etapas da sua vida. E connosco, Pais, certos que por muitos erros que façamos, vamos acertando muita coisa pelo caminho. E para ter a certeza disto basta olhar para a nossa família.



quinta-feira, 10 de maio de 2018

E a saga continua à noite

Finalmente todos na cama, até adormeci surpreendentemente cedo! 
Duas da manhã "MAAAAAE! Bom dia, já acordei!" Claramente rogando pragas à vida, não penso duas vezes e enfio Teresinha na minha cama. Mais uma vez para grande surpresa minha, voltamos a adormecer num instante. 
Cinco da manhã "mãe, preciso de fazer xixi"... Só que... Tarde de mais... Bruto xixi na minha cama!!!!! Começa a saga, dar banho, mudar de pijama e deita a Teresinha. Ao ir buscar lençóis lavados, não sei o que fiz mas tudo o que estava no armário caiu e desdobrou-se! Este dia está a ser um mimo!
Começo a fazer a cama e o bebê acorda cheio de fome! Instala se a dúvida, o que faço primeiro? A minha claraza de pensamento às cinco da manhã não deixa espaço para dúvida, obviamente acabo de fazer a cama! Enquanto isso o bebê grita desalmadamente!
Tudo tranquilo, cama feita! Vamos trocar a fralda ao bebê quando ele decide que é mais giro fazer um repuxo de xixi e sujar a cama acabadinha de fazer!!!! Não há crise... Dá-se um biberon calmamente enquanto se ignora o facto. Assim como assim já são seis da manhã, amanhã é um novo dia e como vou estar em casa sem fazer nada, logo troco a colcha. 
Life ❤️



O dia-a-dia de uma Mãe em licença

O dia começa cedo, apesar de não estar a trabalhar é impossível não acordar quando o marido se levanta e vai vestir a filha mais velha. As birras a dizer "quero a mããããããe!" "Quero ir para o Colégio de pijama!" são diárias (tem péssimo acordar!!!!).  Depois de uma certa luta, os dois saem de casa.
É aqui que o cérebro masculino pára e pensa "agora eu vou trabalhar e ela fica todo o dia de pijama a ver séries e comer pipocas". A realidade é outra... Os dois saem e imediatamente o bebé acorda! Está na hora de o encher de mimos, mudar a fralda, vestir, dar o biberon e brincar um bocadinho. Acabada esta tarefa deixa-se o bebé a dormir outra vez e começa a correria... fazer a cama da Teresinha, fazer a cama do Sebastião, fazer a nossa cama, esterelizar os biberons, por a máquina da roupa a lavar, lavar a loiça do pequeno almoço que deixaram por lavar e com sorte ainda me consigo vestir. Nisto o bebé acorda (bolas, não tive tempo para tomar o pequeno almoço!). Naturalmente pede atenção colo e mimo, depressa recomeça a rotina de trocar a fralda e dar biberon (muitas inclui uma segunda muda de roupa a seguir porque a primeira foi toda bolsada, não há babete que resista!). Com sorte o Sebastião volta a adormecer passado pouco tempo, já posso tomar o pequeno almoço; bem, já não vale a pena, são praticamente horas do almoço. Aproveito e apanho a roupa que estava a secar, dobro, e arrumo tudo, estendo a roupa da máquina e ponho mais uma máquina a lavar. Agora posso começar a fazer o almoço mas... o bebé acordou! Vou-lhe dar atenção, brincar um bocadinho, dar colo e já agora fazer limpezas com ele ao colo (mãe que e mãe é claramente multifacetada). Como assim são quatro da tarde?! Está na hora de ir buscar a Teresinha, enfio a correr uma bolacha na boca e vá de sair a correr.

Vamos os dois no carro, eu a dormir em pé, o bebé a chorar... porreiro! Chegamos ao Colégio finalmente, apanhamos a Teresinha e voltamos para o carro, todos a postos quando "Mãe, preciso de fazer xixi!!" Tudo a sair do carro a correr de volta ao Colégio! Obviamente o inevitável aconteceu... xixi nas cuecas! Com a ajuda das educadoras lá de troca de roupa e vamos de volta para o carro. Por esta altura já morro de fome ao mesmo tempo parece que fui atropelada por um camião tire carregado de budas!

De volta a casa! Aqui obrigo-me sempre a parar e a brincar com a Teresinha. depois começo a fazer o jantar e como ela não se aguenta mais de 15 minutos a brincar sozinha chamo ao serviço a televisão (sou tão contra isto!). Jantar adiantado, adivinhem... hora de mais um biberon e troca de fralda! Logo de seguida começa a rotina do banho da Teresinha e do jantar. Aqui há duas maneiras diferentes de prosseguir a história, na que eu gosto mais ela come tudo num instante sem birras, na versão que eu rezo que continue a ser esporádica ela faz birra atrás de birra e em vez de engolir faz as famosas "bolas" de comida. Uff já está, agora é "só" lavar os dentes, coisa que odeia, e cama. Na cama tento sempre ter um momento de calma, rezamos juntas antes de dormir e tento que haja tempo para uma história.

Filha número um tratada, segunda fase, o bebé! Encho a banheira enquanto o dispo, dou-lhe um belo banho (adoro esta hora do dia!!) e ponho-lhe o pijama, de seguida mais um biberon, um bocadinho de namoro e cama.

Está na hora de dar uma arrumação geral à casa que já ficou uma lástima e finalmente vou comer! Ultimamente o cansaço já é tanto que limito-me a comer uma daquelas saladas já embaladas que se vendem nos supermercados. Sento-me à frente da televisão a desfrutar o primeiro momento de calma.
O marido chega e pergunta "Ligaste para a media Markt?" e quando eu digo que não, vem a famosa frase que deu azo a este enorme texto... "Como não, se passas o dia em casa e não tens nada para fazer?"

Se um olhar matasse neste momento já era viúva! e sem remorsos!
P.S. Acabei de me lembrar que tenho a roupa na máquina há horas... 

terça-feira, 8 de maio de 2018

Entre o sonho e a realidade

Dia 7 de Maio

22h00 - O sonho

Pensamento: Amanhã vou finalmente ter um dia para descansar, preciso de dormir, de recarregar energias, de ver um filme do início ao fim. A Teresinha vai para o Colégio e deixo o Sebastião nos meus Pais. É o plano perfeito!

Dia 8 de Maio

00h21 - O despertar

Teresinha - "MAAAAAAAAAE, fiz xixi na cama e quero vomitar!!"
00h23 - dar um banho
00h26 - Tentar perceber porque não pára de tremer
00h28 - Não consegue parar de chorar nem de tremer
00h30 - Descoberta a causa, muita febre!
00h35 - fazer uma cama de lavado
00h45 "preciso do colo da Mãe!"
1h00 - deitá-la na minha cama
1h15 - "MAAAAAE, preciso da mãe a dormir ao pé de mim!"
2h00 - "MAAAAE, tou com calor!"
2h30 - "MAAAAAAAAE, tou com frio!"
2h45 - (palavras das quais não me orgulho, mas a estas horas da manhã ninguém merece) Ponha-se a dormir agora se não vai para a sua cama e ainda leva uma palmada!
3h00 - O descanso da guerreira... de ambas

7h30 - A realidade

João - Vou sair, não levo a Teresinha ao Colégio hoje pois não? Fica em casa?
Eu - ... pois...


segunda-feira, 7 de maio de 2018

Eu VS Barbie

Sair de casa a correr para ir à farmácia comprar um creme para o filho que tem a pele numa lástima... 

O cheiro a bolsado é intenso, as olheiras cravadas, o cabelo num rabo de cavalo já descaído, as roupas práticas e largas, sapatos rasos e principalmente aquele ar (e aqueles quilos) de Mãe recente que não se consegue disfarçar.
Chego à farmácia e oiço "Teresinha, aqui? Olá!" Sabem quando pela voz (mesmo não a reconhecendo à primeira) percebemos que do outro lado vai estar uma barbie perfeita?... Assim foi!
O que se faz? disfarça-se o súbito sentimento de inveja, põe-se um sorriso na cara, diz-se que é uma agradável surpresa e ainda se fica de combinar um café (hahaha combinar seja o que for agora tem uma certa graça!).

Afastamo-nos uma da outra, ela com "inveja" dos meus dois filhos aparentemente perfeitos, e eu com "inveja" daquele ar, da figura, do perfume e da vida de barbie aparentemente perfeita. Chego a casa e tenho os dois à minha espera com um sorriso de orelha a orelha... mesmo não parecendo eu sei que saí a ganhar!


Dias a 4

Fim de semana a quatro  Há uns dias tomámos uma decisão para a existência! Estávamos a precisar de tempo a quatro, de papo para o ar,...