quinta-feira, 17 de maio de 2018

O dia D

Hoje dei por mim a pensar no dia em que a Teresinha nasceu. Estava ansiosa para a ver, para lhe pegar ao colo, para ter como toda a gente me dizia, o melhor dia da minha vida.
A data prevista para ela nascer era dia sete de Setembro, e toda a gente me dizia que ainda ia ter muito que esperar por ser a primeira filha, O que é certo é que dia 8, às sete da manhã as águas rebentaram. Assim começou um dia longuíssimo!

Mal as águas rebentaram, a minha preocupação foi ter o chão todo sujo, então pus o marido a limpar enquanto eu fui tomar um bom banho. Mal acabei, pegámos nas malas e numa toalha para o banco do carro (aqui a "dignidade" começa-nos a abandonar) e lá vamos nós.
Assim que cheguei ao hospital fui vista e acomodada num quarto. A minha médica estava a dar consultas noutro sítio mas ligava-me a toda a hora para saber em que ponto estava. E o meu ponto era sempre o mesmo "Estou óptima!".

A verdade era que estava mesmo óptima, não tinha uma dor, não estava desconfortável... nada. Quase parecia estar num hotel, quarto só para mim e a ver filmes e séries com o tablet.
A toda a hora me entravam enfermeiros no quarto a saber se estava tudo bem, se precisava de "drogas", se estava muito aflita e de seguida informavam-me que tinha só 2\3\4 dedos de dilatação (enquanto isto lá iam mais pedaços de dignidade pelo ar).

Ao fim de umas boas horas, lá comecei a ter uma certa "moinha" e decidi pedir logo a epidural não fosse a dor começar a escalar muito depressa. Este foi um dos passos mais dolorosos! Por alguma razão estranha começaram-me a dar os nervos, fiquei super contraída, suava em bica (e a médica era amorosa e explicava-me tudo, não percebi a minha reacção!) resultado, doeu-me horrores!

A minha obstetra (é Deus na terra!!) chegou e depois de me ver disse a frase que não me esqueço: "Ah pois é... não vai dar".
Lembro-me tão bem de lhe perguntar : "Não vai dar o quê?! alguma coisa tem que dar!" Aí soube que ia ter que fazer cesariana porque o meu trabalho de parto não evoluía e se continuasse assim o bebé entrava em sofrimento.

Estranhamente nunca tinha posto a hipótese de ter que fazer cesariana... fiquei outra vez nervosissima! Liguei aos meus pais (a quem tinha dado "ordens" específicas para não virem até eu dizer) a contar e em menos de nada estava na sala de operações!

Nunca me vou esquecer daquela sensação horrível de não ter dores mas de sentir alguém a mexer nas minhas entranhas! E o barulho... o barulho como se alguém estivesse a brincar com esparguete nunca me vai sair da memória!! 

E a Teresinha nasce!! Apesar e o João dizer que não foi isto que se passou, é exactamente assim que me lembro! Mal nela nasceu a médica disse-me "parabéns, é mesmo mesmo bonita!" mas quando ma mostrou eu só lhe vi o rabo! O João diz que a puseram ao meu colo, mas eu juro que não! De seguida levaram-na para lhe fazer aqueles testes todos e a vestirem e o João foi com ela. E ali fiquei eu... amarrada a uma maca, sozinha a ser cozida. Nesta altura a minha médica veio-me dar os parabéns e deu-me uma festinha e um beijinho na testa. São pormenores como este que marcam toda a diferença!

O João volta com ela ao colo e diz-me "olha.. e não é que é mesmo bonita?!" (somos os dois muito morenos, cabelo preto e digamos que não temos as caras mais encantadoras, já contávamos que ela fosse meia "macacuça" como costumávamos dizer). Mas ao dizer isto sentou-se ao meu lado, num banco muito alto, ou seja... voltei a não a ver! E eles subiram para o recobro.

Quando já só estava com as enfermeiras ouvi a pior pergunta que se pode fazer à frente de uma pessoa que acabou de ser esventrada "Olha lá... não eram 21 tesouras? Só encontro 20". Morri ali! Mas era falso alarme e ainda nos rimos as três!

Tive um baque quando cheguei ao recobro e percebo que a Teresinha já tinha comido! Como assim não esperaram por mim?! Se eu desse de mamar ela tinha que ter esperado! Porque perguntaram ao Pai se lhe queria dar o primeiro biberon?! E porque é que ele disse que sim?! Fiquei tão frustrada! 
A isto seguiu-se aquela altura óptima em que começa a passar o efeito da epidural e não se consegue parar de tremer! Tão mau!

Depois de toda a gente a ver e de se deliciarem, fomos os três para o quarto. Tudo parecia maravilhoso, a vida era cor de rosa e eu não tinha dores. Lembro-me de pensar "se é assim tão fácil acho que quero mesmo um batalhão de filhos!"

Só que não!...
Algum tempo depois estava na hora do levantamento, vieram duas enfermeiras amorosas que me ajudaram a levantar e perguntavam a toda a hora se eu estava bem. Nunca hei de perceber porque raio decidi armar-me em forte, e mesmo sentido a alma a esvair-se do meu corpo continuava a dizer que estava tudo tranquilo. Obviamente devo ter começado a perder a cor e uma delas perguntou directamente se eu ia desmaiar, ao que respondi apenas "sim". Quando dei por  mim já estava na cama oura vez. Aqui começou o terror.

As dores eram enormes, não me conseguia mexer, tossir, engolir, espirrar e até falar doía! Enquanto isso, a Teresinha chorava aos berros e eu e o João tivemos um dos diálogos de que mais me arrependo de ter.

J - Já viste? Todos os bebés choram menos ela
T - Estás a gozar comigo?! Ela está aos berros!
J - Sim, mas os outros têm um choro irritante e ela não.
T - Pergunto-me a sério se estás a gozar com a minha cara!! Faz com que ela se cala ou desaparece daqui com ela.

É... não tenho imenso orgulho nesta conversa, mas existiu. Pouco tempo depois eles dormiam profundamente os dois, e eu lá continuava cheia de drogas em cima mas a morrer de dores.

Não demorei a perceber que era um mito chamar a este dia o mais feliz da vida.

Por esta altura lembro-me de olhar para a Teresinha e achar que eu era a pior pessoa do mundo...  eu não senti de todo aquela famosa ligação que toda a gente diz que sente ao ver os filhos pela primeira vez. Senti apenas que era amorosa, mas eu não a conhecia, queria vir a conhecer, mas na verdade não conhecia ainda. 

Nos dias seguintes veio a tortura dos puns... sim... puns! Sabia que tinha que os dar, mas as dores eram mais que muitas e eles acabavam sempre por voltar para trás e inchar na barriga... Achava que ia morrer a qualquer segundo, até chorava! Depois descobri que por alguma razão, sabendo que não podia tossir, acabava sempre por me engasgar quando bebia ou comia qualquer coisa. E isto acontecia sempre com visitas no quarto, eu inchada, a suar em bica colada à cama, a morrer de dores, a tentar dar puns e a ter que fazer conversa com meio mundo! 

Quando finalmente era dia da alta, entra uma enfermeira no quarto e pergunta "já evacuou?"... demorei um tempo a pensar e lá percebi que ela me perguntava se já tinha feito cocó... Que saudades que tinha da minha dignidade por esta altura

Decidida olhei para a retrete, tive um tête-à-tête com ela e decidi evacuar. Nah, depressa desisti da ideia! Não consegui! Uns minutos mais tarde veio a pergunta outra vez... "Já evacuou?" e a resposta repetia-se.
No final, a enfermeira apareceu no quarto com um clister e disse-me que se não evacuasse não podia ter alta! Paniquei! Fui para a casa de banho, mas as dores a mexer-me eram imensas e não consegui usar o raio dos supositórios... dignidade, volta, estás perdoada!

Quando a enfermeira me voltou a fazer a célebre pergunta, achei que o melhor que tinha a fazer era mentir! E assim, de consciência pesada mas muito aliviada (apenas mentalmente óbvio) fui para casa.

Aí começou toda uma nova aventura, mas fica para outras andanças.
O que é certo é que apesar de ter odiado o dia, de ter sofrido horrores, e de não ter sido de todo o melhor dia da minha vida, foi aquele dia que fez de mim Mãe e que fez começar a melhor etapa da minha vida. Percebi que não se resumia àquelas horas, mas a tudo o que vinha depois, fruto delas.

Não posso deixar de dizer que fui tratada sempre como uma Rainha por todas as pessoas do hospital, trataram-me sempre  com imenso cuidado, como se não houvesse mais ninguém a precisar de cuidados.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Um 13 de Maio diferente

Escolhemos o dia 13 de Maio para baptizar o Sebastião. Como consagramos os nossos filhos a Nossa Senhora, percebemos que fazia todo o sentido. Foi um Baptizado tão simples quanto bonito, apenas com a família nuclear e o coro feito dos nossos amigos mais próximos. Tudo parecia bem encaminhado, mas, como não podia deixar de acontecer, os stresses aconteciam sem que ninguém (ou quase ninguém) desse conta.
Tudo começou na missa (o baptizado foi depois da Missa) quando o João me diz baixinho "ups, esqueci-me da Concha em casa". A cabeça começa a mil, primeiro pensamento: vou matá-lo! Segundo pensamento: Isso não ia resolver nada. Terceiro pensamento: Mas eu deixei tudo à porta, como é que ele não trouxe?!? Quarto pensamento: Não adianta pensar nisso. Quinto pensamento: Vou definitivamente matá-lo. No final deste monólogo de pensamentos encantador que se passou em segundos, pus um sorriso na cara (acho que não pus, mas para efeitos futuros vou dizer que sim) e fui procurar os meus pais que também já estavam na Igreja, aproximei-me com uma atitude muito madura e altiva, mas mal os alcancei desfiz-me em queixinhas "O João deixou a concha em casa!!!". Não consegui ajuda ali, passei para uma Tia que estava no banco de trás, daí veio a salvação! A minha tia tinha uma concha para me emprestar e vive ali mesmo ao lado. Primeiro stress resolvido!
Acabou a Missa e eu fui vestir o fato de Baptizado ao Sebastião enquanto o João foi a correr (bastante literalmente) buscar a concha. Resultado - o Sebastião teve um Baptizado lindo e foi baptizado com uma concha a dizer Afonso

Seguiu-se o baptizado, foi mesmo um momento bonito, para nós o baptismo não é só uma festa simbólica, tem mesmo um significado profundo e por isso é um dia de uma alegria enorme e festejamo-lo mais do que um dia de anos.

No final do baptizado, era preciso fechar a Igreja e fomos amavelmente  "expulsos". Problema, o Sebastião ainda estava com um vestido gigante. Solução, trocámo-lo à porta da Igreja, nas escadas que dão para o adro. Atrevo-me a dizer que fomos motivo de chacota dos turistas que por ali passavam! No meio disto ainda houve tempo para algumas selfies.

Finalmente, tudo tratado e estamos prontos para rumar a casa e esperar lá por toda a gente, Mas claro que isto não se podia fazer sem mais um percalço! A caminho do carro e com o Sebastião ao colo, achei boa ideia torcer os pé (não usava saltos tão altos desde que Moisés separou as águas!) e cair no meio do chão. Sabem aquelas quedas em câmara lenta? Aquelas em que achamos que a qualquer momento nos equilibramos e não caímos? Foi dessas, mas não me equilibrei... caí mesmo. A Teresinha teve o seu primeiro momento de vergonha alheia e dizia "levante-se Mãe... vá lá, levante-se" enquanto olhava à volta. Eu estava perdida de riso e o João decidiu largar o carrinho para me vir ajudar, mas eu olho para trás e vejo o carrinho a descer a rua sozinho! Foi interceptado por um turista... um daqueles que estava a gozar o pratinho desde que achámos boa ideia trocar a roupa ao bebé em plenas escadas na rua. Parecíamos os quatro saídos de um filme cómico de má qualidade e de piadas a metro! Levantei-me (não acredito que fiz um buraco nas calças acabadas de comprar!!!), fingi que nada se tinha passado, segui caminho e fingi ignorar que meia cidade estava de olhos postos em mim. Os pensamentos de quem olhava para nós deviam ir desde "loucos" a "negligentes". Mas decididos a ignorar o mundo ao nosso redor, continuámos a andar em direcção ao carro.

O resto do dia foi muito em passado, com o Sebastião rodeado de pessoas que o adoram e vão ajudar em todas as etapas da sua vida. E connosco, Pais, certos que por muitos erros que façamos, vamos acertando muita coisa pelo caminho. E para ter a certeza disto basta olhar para a nossa família.



quinta-feira, 10 de maio de 2018

E a saga continua à noite

Finalmente todos na cama, até adormeci surpreendentemente cedo! 
Duas da manhã "MAAAAAE! Bom dia, já acordei!" Claramente rogando pragas à vida, não penso duas vezes e enfio Teresinha na minha cama. Mais uma vez para grande surpresa minha, voltamos a adormecer num instante. 
Cinco da manhã "mãe, preciso de fazer xixi"... Só que... Tarde de mais... Bruto xixi na minha cama!!!!! Começa a saga, dar banho, mudar de pijama e deita a Teresinha. Ao ir buscar lençóis lavados, não sei o que fiz mas tudo o que estava no armário caiu e desdobrou-se! Este dia está a ser um mimo!
Começo a fazer a cama e o bebê acorda cheio de fome! Instala se a dúvida, o que faço primeiro? A minha claraza de pensamento às cinco da manhã não deixa espaço para dúvida, obviamente acabo de fazer a cama! Enquanto isso o bebê grita desalmadamente!
Tudo tranquilo, cama feita! Vamos trocar a fralda ao bebê quando ele decide que é mais giro fazer um repuxo de xixi e sujar a cama acabadinha de fazer!!!! Não há crise... Dá-se um biberon calmamente enquanto se ignora o facto. Assim como assim já são seis da manhã, amanhã é um novo dia e como vou estar em casa sem fazer nada, logo troco a colcha. 
Life ❤️



O dia-a-dia de uma Mãe em licença

O dia começa cedo, apesar de não estar a trabalhar é impossível não acordar quando o marido se levanta e vai vestir a filha mais velha. As birras a dizer "quero a mããããããe!" "Quero ir para o Colégio de pijama!" são diárias (tem péssimo acordar!!!!).  Depois de uma certa luta, os dois saem de casa.
É aqui que o cérebro masculino pára e pensa "agora eu vou trabalhar e ela fica todo o dia de pijama a ver séries e comer pipocas". A realidade é outra... Os dois saem e imediatamente o bebé acorda! Está na hora de o encher de mimos, mudar a fralda, vestir, dar o biberon e brincar um bocadinho. Acabada esta tarefa deixa-se o bebé a dormir outra vez e começa a correria... fazer a cama da Teresinha, fazer a cama do Sebastião, fazer a nossa cama, esterelizar os biberons, por a máquina da roupa a lavar, lavar a loiça do pequeno almoço que deixaram por lavar e com sorte ainda me consigo vestir. Nisto o bebé acorda (bolas, não tive tempo para tomar o pequeno almoço!). Naturalmente pede atenção colo e mimo, depressa recomeça a rotina de trocar a fralda e dar biberon (muitas inclui uma segunda muda de roupa a seguir porque a primeira foi toda bolsada, não há babete que resista!). Com sorte o Sebastião volta a adormecer passado pouco tempo, já posso tomar o pequeno almoço; bem, já não vale a pena, são praticamente horas do almoço. Aproveito e apanho a roupa que estava a secar, dobro, e arrumo tudo, estendo a roupa da máquina e ponho mais uma máquina a lavar. Agora posso começar a fazer o almoço mas... o bebé acordou! Vou-lhe dar atenção, brincar um bocadinho, dar colo e já agora fazer limpezas com ele ao colo (mãe que e mãe é claramente multifacetada). Como assim são quatro da tarde?! Está na hora de ir buscar a Teresinha, enfio a correr uma bolacha na boca e vá de sair a correr.

Vamos os dois no carro, eu a dormir em pé, o bebé a chorar... porreiro! Chegamos ao Colégio finalmente, apanhamos a Teresinha e voltamos para o carro, todos a postos quando "Mãe, preciso de fazer xixi!!" Tudo a sair do carro a correr de volta ao Colégio! Obviamente o inevitável aconteceu... xixi nas cuecas! Com a ajuda das educadoras lá de troca de roupa e vamos de volta para o carro. Por esta altura já morro de fome ao mesmo tempo parece que fui atropelada por um camião tire carregado de budas!

De volta a casa! Aqui obrigo-me sempre a parar e a brincar com a Teresinha. depois começo a fazer o jantar e como ela não se aguenta mais de 15 minutos a brincar sozinha chamo ao serviço a televisão (sou tão contra isto!). Jantar adiantado, adivinhem... hora de mais um biberon e troca de fralda! Logo de seguida começa a rotina do banho da Teresinha e do jantar. Aqui há duas maneiras diferentes de prosseguir a história, na que eu gosto mais ela come tudo num instante sem birras, na versão que eu rezo que continue a ser esporádica ela faz birra atrás de birra e em vez de engolir faz as famosas "bolas" de comida. Uff já está, agora é "só" lavar os dentes, coisa que odeia, e cama. Na cama tento sempre ter um momento de calma, rezamos juntas antes de dormir e tento que haja tempo para uma história.

Filha número um tratada, segunda fase, o bebé! Encho a banheira enquanto o dispo, dou-lhe um belo banho (adoro esta hora do dia!!) e ponho-lhe o pijama, de seguida mais um biberon, um bocadinho de namoro e cama.

Está na hora de dar uma arrumação geral à casa que já ficou uma lástima e finalmente vou comer! Ultimamente o cansaço já é tanto que limito-me a comer uma daquelas saladas já embaladas que se vendem nos supermercados. Sento-me à frente da televisão a desfrutar o primeiro momento de calma.
O marido chega e pergunta "Ligaste para a media Markt?" e quando eu digo que não, vem a famosa frase que deu azo a este enorme texto... "Como não, se passas o dia em casa e não tens nada para fazer?"

Se um olhar matasse neste momento já era viúva! e sem remorsos!
P.S. Acabei de me lembrar que tenho a roupa na máquina há horas... 

terça-feira, 8 de maio de 2018

Entre o sonho e a realidade

Dia 7 de Maio

22h00 - O sonho

Pensamento: Amanhã vou finalmente ter um dia para descansar, preciso de dormir, de recarregar energias, de ver um filme do início ao fim. A Teresinha vai para o Colégio e deixo o Sebastião nos meus Pais. É o plano perfeito!

Dia 8 de Maio

00h21 - O despertar

Teresinha - "MAAAAAAAAAE, fiz xixi na cama e quero vomitar!!"
00h23 - dar um banho
00h26 - Tentar perceber porque não pára de tremer
00h28 - Não consegue parar de chorar nem de tremer
00h30 - Descoberta a causa, muita febre!
00h35 - fazer uma cama de lavado
00h45 "preciso do colo da Mãe!"
1h00 - deitá-la na minha cama
1h15 - "MAAAAAE, preciso da mãe a dormir ao pé de mim!"
2h00 - "MAAAAE, tou com calor!"
2h30 - "MAAAAAAAAE, tou com frio!"
2h45 - (palavras das quais não me orgulho, mas a estas horas da manhã ninguém merece) Ponha-se a dormir agora se não vai para a sua cama e ainda leva uma palmada!
3h00 - O descanso da guerreira... de ambas

7h30 - A realidade

João - Vou sair, não levo a Teresinha ao Colégio hoje pois não? Fica em casa?
Eu - ... pois...


segunda-feira, 7 de maio de 2018

Eu VS Barbie

Sair de casa a correr para ir à farmácia comprar um creme para o filho que tem a pele numa lástima... 

O cheiro a bolsado é intenso, as olheiras cravadas, o cabelo num rabo de cavalo já descaído, as roupas práticas e largas, sapatos rasos e principalmente aquele ar (e aqueles quilos) de Mãe recente que não se consegue disfarçar.
Chego à farmácia e oiço "Teresinha, aqui? Olá!" Sabem quando pela voz (mesmo não a reconhecendo à primeira) percebemos que do outro lado vai estar uma barbie perfeita?... Assim foi!
O que se faz? disfarça-se o súbito sentimento de inveja, põe-se um sorriso na cara, diz-se que é uma agradável surpresa e ainda se fica de combinar um café (hahaha combinar seja o que for agora tem uma certa graça!).

Afastamo-nos uma da outra, ela com "inveja" dos meus dois filhos aparentemente perfeitos, e eu com "inveja" daquele ar, da figura, do perfume e da vida de barbie aparentemente perfeita. Chego a casa e tenho os dois à minha espera com um sorriso de orelha a orelha... mesmo não parecendo eu sei que saí a ganhar!


quarta-feira, 2 de maio de 2018

Mães modernas

Tenho andado a pensar nesta coisa de ser Mãe nos dias de hoje... 
Toda a gente nos diz que ser Mãe é difícil,  a verdade é que nem sempre é fácil, mas quem mais o dificulta por vezes não são os filhos, nem tão pouco as famosas sogras, mas sim outras Mães.
Ora, todas apregoam que não são perfeitas (fica sempre bem dize-lo) mas a maior parte do tempo andam à procura de alguém que julguem ainda menos perfeito para poder apontar o dedo e achincalhar. A pergunta é... porquê? Já não se pode errar sem ser crucificado em praça pública.
Na verdade, numa altura em que o Mundo avança a passos largos, em que todos os dias aparecem novas teorias, nós vamos evoluindo com ele tentando descobrir o nosso espaço e onde melhor nos enquadramos. 
Porque raio é que uma Mãe não pode dar uma bolacha Maria ao filho sem que imediatamente haja alguém a dizer que ela não gosta dos filhos,  devia ser punida, que a criança ganhava mais em ser orfã e que nunca tinha visto tamanho sacrilégio?!? Mas desde quando é que damos liberdade para todo e qualquer sujeito se intrometer desta forma? E pior... porque raio acabamos por nos sentir mal e ficar a pensar se seremos de facto o monstro que nos dizem que somos. Afinal, onde está a humildade da Mãe que nos acusa mas que há dois segundos atrás batia com a mão no peito a dizer que era imperfeita? Alguma coisa de muito errado se passa aqui.
E estamos a falar da parte mais básica, porque se formos a questões mais complexas então está o caldo entornado! Há tempos, num grupo de Mães no facebook vi uma pobre coitada ser totalmente atacada por discordar que haja aulas de educação sexual obrigatórias... Tudo bem que deu a sua opinião em público e sujeitava-se a ouvir respostas quer as pessoas concordassem ou discordassem. Mas não foi isto que aconteceu, fiquei estupefacta ao ver esta mãe ser comida viva! Seguiram-se dias de respostas horríveis, insultuosas, javardas e (essas sim) intolerantes. Não contentes com as respostas, seguiram-se posts a gozar com a pobre coitada que ousou pensar de forma diferente da que as donas da verdade pensavam. Onde está afinal a tal imperfeição que tanto apregoavam

Eu tenho a sorte de conseguir não me sentir afectada por estes comentários, cresci numa família espectacular onde todos os dias alguém metia a pata na poça (tentem ter uma família perfeita com cinco filhos hahaha) e nunca foi crucificado por isso. Agora sou eu que dou aos meus filhos espaço para crescerem desta maneira, mas mais importante que isto, dou este espaço a mim própria. Lido com as minhas imperfeições, conheço-as, tento melhorá-las mas... honestmente?... Mais ninguém tem nada a ver com isso.
No final do dia são as opiniões alheias que me movem? Não, de todo, é o amor que tenho pela minha família e a certeza que, errando todos os dias (várias vezes por dia) dou o meu melhor e tenho uma família que me adora com todas as minhas imperfeições, equilibrada segura e sobretudo unida e feliz. 



terça-feira, 1 de maio de 2018

Mas como?!

E aqui se percebe a insanidade mental... A Teresinha deixou agora as fraldas de dia e de noite ( viva!!) E para a entusiasmar ofereci lhe cuecas da patrulha pata como ela pediu (mas ela nem nunca viu aquilo em casa!).  Ontem decidi arrumar as roupas todas bem arrumadinhas e a gaveta das cuecas não fechava fui averiguar e deparei-

me com um cenário Dantesco... O exagero de cuecas desta criança!!!!! Mas para que?


Dias a 4

Fim de semana a quatro  Há uns dias tomámos uma decisão para a existência! Estávamos a precisar de tempo a quatro, de papo para o ar,...